O que as empresas buscam em executivos na transição
Descubra as competências e estratégias valorizadas pelas empresas para executivos em processos de transição profissional.
Ler artigo →Descubra estratégias para negociar salário com base em experiência ao mudar de área e garantir uma transição salarial justa.
Fernando Pontes
Arquiteto de Carreira — Criador do PontesOS®
A decisão de mudar de área envolve coragem, estratégia e consciência do próprio valor. Ao longo dos meus anos acompanhando transições e evoluções profissionais, aprendi que a negociação de remuneração nesse contexto exige preparação apurada e visão ampla. Quero compartilhar aqui, com base em minha experiência e conhecimento adquirido com a Pontes Carreira e fontes de referência nacional, sete pontos que considero fundamentais para negociar melhor seu salário ao mudar de área.
Na transição para uma nova área, é comum desconhecer os parâmetros salariais do novo segmento. Já vivi situações em que o entusiasmo pelo desafio quase me custou uma remuneração abaixo do justo. O primeiro passo é pesquisar faixas salariais realistas. Utilize portais oficiais, relatórios públicos e redes profissionais para levantar referências financeiras do cargo, região e perfil de empresa.
Além disso, o 3º Relatório de Transparência Salarial mostra desigualdades ainda persistentes no Brasil, revelando a importância de buscar informações reais e ajustar expectativas baseadas em dados. Por exemplo, em 2024, mulheres receberam em média 20,9% a menos do que homens, impacto que também atinge pessoas em transição de carreira, principalmente mulheres negras que recebem valores ainda inferiores.
Ferramentas gratuitas e estudos de mercado podem ajudar a filtrar essas informações por área, mas sempre busque informações atualizadas e, se possível, converse com pessoas já inseridas no novo segmento.
Ao fazer a transição, identifique quais habilidades, resultados e projetos antigos reforçam seu valor mesmo em contextos diferentes. Valorizo muito essa etapa porque, em toda mudança de carreira, é necessário traduzir o que já foi construído para a linguagem do novo setor. Adaptei isso acompanhando profissionais na Pontes Carreira, ajudando-os a demonstrar, por meio de narrativa clara, como suas experiências anteriores agregam ao novo desafio.
Esses argumentos fortalecem sua posição e justificam uma remuneração superior à média de quem está começando do zero.
Na abordagem com o recrutador, apresente suas experiências como ativos que reduzem custos de treinamento e aceleram entregas na nova função.
De todas as vezes em que precisei negociar salário, aprendi que oferecer um intervalo é muito mais eficaz do que travar a conversa em um valor único. O intervalo permite negociação, demonstra flexibilidade e protege contra propostas muito abaixo do que você espera.
Esse intervalo deve considerar:
Quando o intervalo está alinhado com o mercado e com sua realidade financeira, você ganha credibilidade e amplia suas chances de chegar a um acordo justo.
Nem sempre uma oferta salarial será perfeitamente compatível com suas expectativas iniciais, principalmente na transição de áreas. Por isso, aprendi a olhar para o pacote completo: home office, flexibilidade de horário, auxílio-educação, bônus e planos de saúde podem ser tão significativos quanto o valor líquido mensal.
Na negociação, traga exemplos de benefícios valorizados em conversas com colegas da área, sites de referência e até consultorias especializadas.
Entrar em uma negociação sem fatos é se colocar numa posição de desvantagem. Por isso, levo sempre à mesa exemplos da minha trajetória e referências salariais confiáveis. Mesmo que você esteja mudando de área, apresente sua curva de aprendizado acelerada, capacidade de entrega e feedbacks positivos em outras funções.
Se possível, alie informações de pesquisa salarial a depoimentos ou avaliações objetivas que já recebeu. Lembre-se de abordar indicadores do novo setor e, ao relacionar os resultados atingidos anteriormente, faça a ponte com as demandas da função que deseja ocupar agora.
Dados concretos despertam atenção e respeito.
Infelizmente, ainda vemos diferenças de remuneração por gênero, raça e outros aspectos no Brasil. Eu costumo compartilhar os dados do 3º Relatório de Transparência Salarial, que aponta que, em 2024, a diferença de salários entre mulheres e homens se mantém alta em grandes empregadores. Se você pertence a um grupo minorizado, leve esses dados para a mesa de negociação e mostre que está informado(a) e vai buscar justiça nas conversas.
Seus argumentos embasados em informações oficiais ajudam a combater desigualdades históricas e contribuem para um mercado mais justo.
Na Pontes Carreira, oriento especialistas a usarem evidências de forma assertiva, sem transformar a negociação em embate, mas mostrando consciência do próprio valor e do cenário econômico brasileiro.
O momento ideal para discutir remuneração não é na primeira conversa, mas jamais deixe de abordar o assunto antes de formalizar qualquer mudança. Sempre compartilho que trocar de área sem resolver essa questão gera frustração futura. Espere o recrutador avançar no processo e demonstre interesse genuíno na vaga antes de falar explicitamente de salário.
Confiança, clareza e uma comunicação respeitosa são pontos que destaco como diferenciais para uma negociação bem-sucedida.
Procure construir, desde o início, uma relação transparente e baseada em respeito com o interlocutor. Isso abre portas não só para acordos mais justos, mas para uma trajetória profissional mais saudável.
Por fim, nenhuma negociação faz sentido se você não souber qual é seu “mínimo aceitável”. Já vi profissionais muito qualificados aceitarem propostas incompatíveis na empolgação da mudança. Antes de avançar, faça as contas dos seus compromissos, expectativas de crescimento e objetivos de vida.
Esse cuidado evita arrependimentos e deixa claro quando é hora de abrir mão e buscar alternativas, inclusive acompanhando referências, como os artigos sobre transição profissional e estratégias de carreira disponíveis em nosso blog para apoiar no momento de decisão.
Negociar remuneração ao mudar de área é muito mais do que comparar salários e somar benefícios. É, acima de tudo, sobre protagonismo e autoconhecimento. No meu trabalho com a Pontes Carreira vejo, dia após dia, como clareza, preparação e coragem fazem diferença nos resultados. Se você está nesse momento, recomendo conhecer nosso guia prático para transição de carreira e evitar os erros comuns do reposicionamento no mercado. E, claro, conte conosco para ajudar a construir sua narrativa profissional com estratégia e segurança.
Agende uma conversa inicial e descubra como podemos ajudar você a atualizar sua presença, alinhar expectativas e negociar em qualquer etapa da sua transição.
O cálculo começa pela pesquisa em bons estudos setoriais, relatórios oficiais e conversas com profissionais já atuantes na nova área. É importante considerar não só a média salarial do cargo, mas sua bagagem, resultados transferíveis e o custo de vida. Sempre recomendo traçar um intervalo, não um valor fixo, e levar em conta também benefícios adicionais.
Traga para a conversa exemplos práticos, conquistas anteriores, certificações, rapidez com a qual aprende novas funções e resultados concretos no passado. Use dados de pesquisas atualizadas, inclusive informações sobre desigualdade salarial, para fortalecer seu pedido com clareza e embasamento.
Depende do momento de vida, dos seus objetivos de desenvolvimento e do propósito com a mudança. Às vezes, a evolução de aprendizado, as novas conexões ou desafios superam a diferença salarial inicial. Mas só faz sentido aceitar a mudança se a remuneração estiver alinhada ao seu perfil e expectativas futuras.
Utilize relatórios de transparência salarial, sites de vagas e dados de sindicatos, além de consultas a colegas do setor. Busque informações diretamente com quem já atua nessa nova área para ter referências reais e recentes das faixas praticadas.
Evite negociar baseado no desespero ou pressa. Não aceite a primeira proposta sem discutir benefícios e sem checar dados. Fuja de comparações rasas com salários anteriores e nunca revele o valor “mínimo” antes de entender toda a proposta da nova área.
Próximo Passo
A conversa inicial ajuda a entender se o seu momento pede ferramenta, programa ou uma leitura mais aprofundada — antes de qualquer decisão de investimento.
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